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Hérnia de disco · 8 min de leitura

Hérnia de disco L5-S1 é grave? O que o laudo diz e o que ele não diz

Na maioria dos casos, a hérnia de disco L5-S1 não é grave. L5-S1 é o nível mais comum de hérnia lombar porque é onde a coluna recebe mais carga, e o que define a gravidade é o exame clínico: força, sensibilidade, reflexos e evolução dos sintomas. O laudo mostra a forma do disco, mas não mede o tamanho do problema.

Por Dr. Pedro Rosário, fisioterapeuta especialista em coluna · 24 de outubro de 2026

Dr. Pedro Rosário fazendo técnica manual na coluna lombar de paciente deitado de bruços na maca
Avaliação e técnica manual na coluna no Instituto Perseverar, em Contagem.
Resumo rápido
  • L5-S1 é o disco entre a última vértebra lombar e o sacro e, junto com L4-L5, concentra a grande maioria das hérnias lombares.
  • Abaulamento, protrusão, extrusão e sequestro descrevem o formato do disco, não a gravidade do caso.
  • Achados de hérnia e degeneração são frequentes em pessoas sem dor e aumentam com a idade, segundo revisão de Brinjikji e colaboradores (2015).
  • A hérnia L5-S1 costuma afetar a raiz S1, com dor na parte de trás da perna até a planta e a lateral do pé e reflexo do tornozelo diminuído.
  • Perda de controle da urina ou das fezes, dormência em sela e fraqueza progressiva pedem atendimento médico urgente.

O que é L5-S1 e por que a hérnia aparece tanto ali?

L5-S1 é o disco que fica entre a última vértebra lombar (L5) e o sacro (S1), a base da coluna. É a articulação que mais recebe carga quando você senta, levanta peso ou se inclina para a frente, e por isso, junto com L4-L5, concentra a grande maioria das hérnias lombares.

Pense na coluna como uma pilha. Quanto mais embaixo, mais peso o disco segura. L5-S1 ainda faz a transição entre uma parte que se mexe bastante (a lombar) e uma parte fixa (o sacro, encaixado na bacia). Essa combinação de carga e movimento explica por que o disco desse nível se desgasta e se desloca com mais frequência.

No consultório, quando um paciente chega com o laudo na mão, em boa parte das vezes a palavra destacada é justamente "L5-S1". E a primeira pergunta quase sempre é a mesma: "Doutor, isso é grave?". A resposta honesta é que o nível da hérnia, sozinho, não diz isso. L5-S1 é o lugar mais comum, não o mais perigoso.

Hérnia ou protrusão: qual a diferença?

Muita gente pergunta se protrusão discal é hérnia de disco. Pela nomenclatura usada pelas sociedades de coluna, sim: protrusão é um tipo de hérnia, a forma em que o material do disco sai pouco e a base continua larga. Extrusão e sequestro são formas em que o material sai mais. A palavra "hérnia" assusta, mas ela cobre desde achados pequenos até quadros que pedem atenção.

Como ler o laudo de ressonância da hérnia L5-S1?

O laudo descreve a forma do disco e a relação com as raízes nervosas, mas não mede a sua dor nem a gravidade do caso. Abaulamento, protrusão, extrusão e sequestro falam do formato do deslocamento; o que importa clinicamente é se isso está comprimindo uma raiz e se o corpo mostra sinais disso.

Eu sempre peço para o paciente ler o laudo junto comigo, linha por linha. Quando a gente traduz os termos, metade do medo vai embora.

O que está escrito no laudoO que significa na prática
Desidratação discal / disco degeneradoO disco perdeu água com o tempo. É muito comum a partir dos 30 anos e aparece em quem não sente nada.
Abaulamento discalO disco "estufou" de forma difusa, por boa parte da sua borda. Geralmente não é considerado hérnia propriamente dita.
Protrusão discalHérnia em que o material sai pouco e mantém a base larga. É o tipo mais frequente nos laudos.
Extrusão discalO material saiu mais, com a ponta maior que a base. Pode irritar a raiz com mais força, mas também tende a ser reabsorvido pelo corpo com mais frequência.
Sequestro / fragmento livreUm pedaço do disco se soltou. Parece assustador no papel, mas é o tipo que mais regride espontaneamente nos estudos.
Contato / compressão da raiz S1 (ou L5)A hérnia encosta ou aperta o nervo. Essa é a linha que mais importa, e ela precisa bater com os sintomas.
Estenose do canal / do forameO espaço por onde passam os nervos está mais estreito. O grau (leve, moderado, acentuado) ajuda a interpretar o quadro.

Um dado que eu gosto de mostrar: uma revisão sistemática publicada no American Journal of Neuroradiology (Brinjikji e colaboradores, 2015) juntou exames de mais de 3 mil pessoas sem dor nenhuma. Achados como degeneração, abaulamento e protrusão eram frequentes e aumentavam com a idade. Protrusão discal, por exemplo, aparecia em cerca de 29% das pessoas de 20 anos sem sintomas e em perto de 43% das de 80 anos. Ou seja: ter hérnia no exame não é o mesmo que ter um problema.

Outro ponto que surpreende: uma metanálise de Chiu e colaboradores (Clinical Rehabilitation, 2015) mostrou que as hérnias que saem mais, como extrusão e sequestro, são justamente as que mais regridem sozinhas com o tempo. O tamanho no laudo não é sentença.

L5-S1 é o lugar mais comum da hérnia, não o mais perigoso. Quem diz se é grave é o seu corpo no exame, não uma palavra no laudo.

Dr. Pedro Rosário, fisioterapeuta especialista em coluna

Quando a hérnia de disco lombar é grave de verdade?

A hérnia de disco lombar é grave quando há perda de força que piora, alteração de sensibilidade importante, reflexos abolidos, sinais de compressão da cauda equina ou dor que não cede de jeito nenhum com o passar das semanas. Quem define a gravidade é o exame clínico e a evolução, não a imagem sozinha.

Na avaliação, eu olho quatro coisas com calma:

  • Sintomas: onde dói, se a dor desce para a perna, se piora sentado, tossindo ou espirrando, e se existe uma posição que alivia.
  • Força: consigo andar na ponta do pé? E no calcanhar? Consigo levantar o dedão contra resistência? Fraqueza que aparece no teste diz muito mais do que milímetros no laudo.
  • Sensibilidade: formigamento e dormência, e em que região exatamente. O mapa da dormência aponta qual raiz está sofrendo.
  • Reflexos: o reflexo do tornozelo (aquiliano) está ligado à raiz S1. Quando ele diminui ou some, é um dado objetivo de compressão.

E tem um quinto item, que é o tempo. Uma dor forte que vai melhorando aos poucos é um cenário muito diferente de uma dor que, semana após semana, vem acompanhada de mais fraqueza. A diretriz NICE NG59, do Reino Unido, recomenda priorizar abordagens não cirúrgicas como primeira linha para a ciática e reservar a avaliação cirúrgica para quem não melhora ou tem déficit neurológico relevante.

Minha opinião, depois de muitos anos de consultório: a maioria das hérnias L5-S1 não precisa de cirurgia, e o laudo assusta mais do que deveria. Mas isso não autoriza ninguém a ignorar fraqueza progressiva. A decisão é sempre individual e depende de avaliação.

Quais são os sintomas da hérnia L5-S1 e onde dói?

A hérnia L5-S1 costuma comprimir a raiz S1, que dá dor na parte de trás da coxa e da panturrilha, podendo chegar à planta e à lateral do pé, com o reflexo do tornozelo diminuído. Quando a raiz atingida é a L5, a dor e o formigamento descem pela lateral da perna até o dorso do pé e o dedão.

Quem pergunta onde dói a hérnia de disco geralmente espera ouvir "nas costas". Mas a dor mais incômoda costuma ser a da perna. Muitos pacientes chegam dizendo que a lombar até incomoda pouco e que o problema é a "dor no nervo" que desce.

Raiz S1 (a mais comum na hérnia L5-S1)

  • Dor ou choque que desce pela parte de trás da coxa e da panturrilha.
  • Formigamento ou dormência na planta do pé e na borda lateral do pé, perto do dedinho.
  • Dificuldade de ficar na ponta do pé de uma perna só.
  • Reflexo do tornozelo diminuído ou ausente.

Raiz L5 (mais ligada a L4-L5, mas pode aparecer)

  • Dor pela lateral da coxa e da perna.
  • Formigamento no dorso do pé e no dedão.
  • Fraqueza para levantar o dedão ou andar apoiado no calcanhar.

Essa distinção não é só curiosidade. Quando o sintoma bate com a raiz descrita no laudo, a imagem ganha peso. Quando não bate, eu desconfio e investigo outras causas antes de culpar a hérnia. Também é comum a dor mudar de lugar conforme o movimento, e esse padrão é parte do que eu avalio pelo método McKenzie.

Quais sinais de alerta pedem atendimento urgente?

Procure um pronto-atendimento ou um médico com urgência se aparecer perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região da sela (entre as pernas, ânus e genitais), perda de força que piora rapidamente, como o pé caído, dor com febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer. Esses sinais podem indicar síndrome da cauda equina ou outra causa séria.

A síndrome da cauda equina é rara, mas é uma emergência. Acontece quando um conjunto de raízes na parte baixa do canal é comprimido ao mesmo tempo. Não é situação para esperar consulta agendada nem para tentar resolver com exercício em casa.

  • Retenção ou perda de controle da urina ou das fezes.
  • Dormência em sela: sensação de "anestesia" na região que encostaria num selim de bicicleta.
  • Perda de força progressiva: o pé "arrasta", a pessoa tropeça, não consegue mais ficar na ponta ou no calcanhar.
  • Dor com febre, perda de peso inexplicada ou histórico de câncer.

Se nenhum desses sinais está presente, a notícia é boa: na imensa maioria dos casos o quadro pode ser conduzido com calma, com tratamento conservador e acompanhamento.

O que fazer depois do diagnóstico de hérnia L5-S1?

O primeiro passo é uma avaliação clínica que confira se o laudo bate com os sintomas e descarte sinais de alerta. Depois, o caminho mais recomendado pelas diretrizes é o tratamento conservador ativo: entender a dor, encontrar movimentos que aliviam, manter-se ativo e fortalecer com progressão.

No Instituto Perseverar, em Contagem, eu começo sempre pela avaliação. Testo força, sensibilidade e reflexos, vejo como a dor responde a movimentos repetidos e só então decido o plano. Uso o método McKenzie, técnicas manuais e de quiropraxia quando fazem sentido para o caso, descompressão e exercício. Tudo isso faz parte do método P.I.L.A.R., que organiza o tratamento por etapas.

O que costuma ajudar

  • Não ficar de cama. Repouso prolongado tende a atrasar a melhora; caminhar dentro do tolerável costuma ajudar.
  • Descobrir a posição de alívio. Para muita gente com hérnia L5-S1, ficar muito tempo sentado piora, e mudar de posição com frequência faz diferença.
  • Exercício orientado e progressivo, que depois pode seguir no Pilates clínico para manter o ganho.
  • Acompanhar a evolução: força, sensibilidade e o quanto a dor "recua" da perna para a lombar.

O que costuma atrapalhar

  • Ler o laudo sozinho e entrar em pânico com termos como "extrusão" ou "sequestro".
  • Trocar de tratamento a cada semana sem dar tempo para o corpo responder.
  • Ignorar fraqueza que vem aumentando.

Se você quer entender as chances de melhorar sem operar, escrevi sobre isso em hérnia de disco tem cura sem cirurgia. E na página de tratamento de hérnia de disco e ciática eu explico como funciona a avaliação no consultório.

Quer entender o seu laudo com calma?

Agende uma avaliação no Instituto Perseverar, em Contagem, pelo WhatsApp. Eu examino você, leio o laudo junto e explico o que ele significa no seu caso.

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Perguntas frequentes

Hérnia de disco L5-S1 dá direito a afastamento ou aposentadoria?

Ter hérnia L5-S1 no laudo, por si só, não garante afastamento. O que pesa na perícia é a limitação funcional comprovada, como perda de força ou incapacidade para a função. Essa avaliação é feita pelo médico e pelo perito, caso a caso.

Hérnia L5-S1 pode causar dor no pé?

Sim. Quando a hérnia comprime a raiz S1, a dor ou o formigamento pode chegar à planta e à borda lateral do pé. Se a raiz atingida for a L5, os sintomas aparecem mais no dorso do pé e no dedão.

Posso fazer academia com hérnia de disco L5-S1?

Na maioria dos casos, sim, desde que com orientação e progressão. O exercício costuma fazer parte do tratamento. O ideal é ajustar carga e movimentos depois de uma avaliação, principalmente na fase de dor forte.

Hérnia de disco L5-S1 some sozinha?

Ela pode diminuir. Estudos mostram que parte das hérnias regride espontaneamente, e as que saem mais, como extrusão e sequestro, tendem a regredir com mais frequência. Mesmo quando a imagem não muda, os sintomas podem melhorar bastante.

Qual médico procurar para hérnia L5-S1?

Ortopedista especialista em coluna, neurocirurgião ou fisiatra fazem o diagnóstico médico. O fisioterapeuta especializado em coluna conduz o tratamento conservador. Na presença de sinais de alerta, o caminho é o pronto-atendimento.

Leia também

Fontes e estudos citados
  1. Brinjikji W et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.
  2. Chiu CC et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clinical Rehabilitation, 2015.
  3. Fardon DF et al. Lumbar disc nomenclature: version 2.0. The Spine Journal, 2014.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). NICE, 2016.
Dr. Pedro Rosário, fisioterapeuta especialista em coluna
Dr. Pedro Rosário

Fisioterapeuta especializado em coluna vertebral, hérnia de disco e dores irradiadas (CREFITO-4 144.105F). Professor de quiropraxia, criador do método P.I.L.A.R. e fundador do Instituto Perseverar, em Contagem. Foi fisioterapeuta credenciado nas Olimpíadas Rio 2016, com menção honrosa do CREFITO-4, e já falou sobre coluna no SBT Saúde, na Band Minas e na TV Alterosa.

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